Linfoma: um desafio oncológico em evolução
- Dr. Eduardo Lobo

- 6 de ago.
- 2 min de leitura

A oncologia veterinária vem se desenvolvendo assustadoramente. Com a chegada da biologia molecular e o entendimento que o meio onde está o tumor muitas vezes é mais importante que a citotoxicidade, vem se firmando e mostrando algo que a muito as terapias complementares diziam – não basta apenas matar as células, mas sim curar o corpo como um todo.
Sem falar em tratamentos e cura tivemos grandes avanços no diagnóstico e o linfoma, por ser de alta prevalência foi agraciado com muitas pesquisas e estudos que levaram a um processo de melhora do diagnóstico e acompanhamento de pacientes com esta patologia tão comum e tão grave.
Agora para o diagnostico e acompanhamento temos uma arma da biologia molecular: o exame de PARR. Escutei isso em uma palestra – exame de PARR – a resposta é Ímpar ... Piada infame ..., mas vamos saber o que é este exame.
O nome PARR significa: “PCR for Antigen Receptor Rearrangement”. Sigla fácil para um nome difícil – exame de PCR para detecção de antígenos de receptores de rearranjo genético em linfócitos.
O PARR é um exame molecular que identifica rearranjos de um clone de células nos genes dos receptores de linfócitos - gebes que criam os receptores para que o linfócito “ache” os intrusos que ele pretende combater.
Sendo assim é usado para diagnostico de linfomas e leucemias em cães e gatos, pois mostra os erros nestas células em especial erros por alterações neoplásicas, permitindo assim a diferenciação entre neoplasias e processo inflamatórios. A neoplasia tem células iguais (clonais), a inflamação diferente (policlonais).
Sendo menos invasivo tem alta eficiência – cerca de 80 %, e o essencial usa sangue – claro que pode usar outras substâncias e até células coletadas por citologia, o que o torna a auxiliar no diagnostico destes processos.

Claro que a citologia, o histopatológico e a clínica continuam sendo importantes, porém, por exemplo em gatos com suspeita de doença inflamatória intestinal / linfoma digestório pode ajudar no processo de diagnostico sem a necessidade de cirurgia.
Portanto o oncologista e até o clínico tem mais uma ferramenta para apurar seu diagnóstico e assim dar diagnósticos precoces e cada vez mais precisos.
Uma coisa importante que aprendi na prática: especifique bem no seu laboratório que tipo de exames ele faz, pois existem painéis diferentes e o ideal é o painel completo com todos os marcadores para ter uma precisão maior.
Já usei para linfomas digestórios em gatos, suspeita de linfoma com aumento de linfonodos retro bulbares, evitando assim enucleação (não pelo negativo, mas pelo acompanhamento da clínica mais exames pareados negativos) e para citologias inconclusivas.
Lembre sempre que exames laboratoriais são complementares e a clínica e a evolução dos achados laboratoriais é essencial no processo de diagnostico, prognostico e tratamento.



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